segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Modos de produção da globalização, hegemonias e contra-hegemonias
Na sessão anterior, a partir do texto de Boaventura de Sousa Santos que se encontra no programa detalhado da cadeira, falou-se de modos de produção da globalização, de localismos globalizados e globalismos localizados - como modos de produção da globalização que actuam em conjunto. Por outro lado, utilizando o mesmo autor, referiu-se o cosmopolitismo e o património comum da humanindade como modalidades de globalização da resistência. Conviria relacionar estes novos conceitos com outros dois que terão sido desenvolvidos na cadeira de Antropologia Política: hegemonia e contra-hegemonia, com remissão para Antonio Gramsci.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Para começar

«Precários nos querem, rebeldes nos terão», gritavam os jovens do Mayday pelas ruas de Lisboa, enquadrados numa manifestação do 1º de Maio. Assim os fotografei, com o vento a engordar a faixa. Escolhi esta foto para iniciar este blog porque vos proponho que usemos a dimensão do político para abordar as sociedades contemporâneas, através da antropologia e da história. Na manifestação desfilavam jovens que enfatizavam a sua situação de precariedade. Não é nada de novo no mundo do trabalho, já que a precariedade sempre foi uma constante entre os grupos subalternos, os assalariados rurais ou os operários. Essa situação passou, nos últimos anos, a atingir camadas sociais que antes estavam a bom recato, por integrarem grupos sociais intermédios e porque desenvolviam os seus estudos ao longo de mais anos. Sugiro que olhemos para estas mudanças em escalas diversificadas, fazendo uso da etnografia para analisar os exercícios do poder no centro e nas periferias, na interface entre as experiências das pessoas e as conexões e modalidades de reprodução e de transformação social. Com as ferramentas de que a antropologia nos dota, proponho que detectemos as práticas políticas nas sociedades contemporâneas através da abordagem dos quotidianos e dos momentos de aceleração da História, com uma reflexão sobre a relação entre a memória e o poder em diferentes níveis. Finalmente, num tempo em que muito nos falam da desvalorização do «lugar» na sociedade actual, sugiro uma abordagem das expressões da localidade num mundo globalizado, entre fluxos e redes sociais, que tenha em conta as questões de escala. Para este exercício vos convido, em sessões em que conto com a vossa presença, servindo este blog como elemento de ligação fora delas.
Devo a Guiseppe Pelizza da Volpedo Il Quarto Stato (1901), a tela que encabeça o blog, de que se lembrarão os que viram 1900 de Bernardo Bertolucci.
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