segunda-feira, 12 de outubro de 2009


Entre os fenómenos globais, as crises recentes do capitalismo e os seus reflexos na vida dos indivíduos, outras são as escalas possíveis. Susana Narotzky e Gavin Smith (Susana Narotzky e Gavin Smith, Immediate struggles – People, Power and Place in Rural Spain, University of California Press, Berkeley/Los Angeles, 2006, 250 pp)interrogaram o discurso hegemónico das economias regionais, que emerge na «Europa das regiões», com uma produção «flexível», empresas dispersas e uma noção de «capital social» alheia à de Pierre Bourdieu. Centrados em Catral, na vega Baja do Segura, Alicante, numa abordagem entre a antropologia e a história,os autores questionam a ideia duma cultura empresarial regional, considerando que obnubila as tensões do poder, interrogando as práticas instituídas de regulação social num dado momento e que, tomadas em conjunto, dão forma ao Estado. Considerar que as pessoas do local X têm propensão para trabalhar muito e com horário flexível, retirando daí conclusões, só pode servir propósitos ideológicos, furtando-se a uma sagaz análise crítica. Nesta obra imprescindível, os autores recordam-nos que, como cientistas sociais, devemos estar preparados para a complexidade da realidade, seja através das forças hegemónicas, seja das respostas dos subalternos, parecendo-lhes crucial a necessidade de reinventar a importância do conceito de classe, com o conflito e a luta como constitutivos das relações sociais.
Espero que a recensão do livro (que publiquei em Historia Agraria, revista da Sociedad Española de Historia Agraria, nº 45, Agosto, pp. 207-211) seja estimulante para a leitura. Foi enviada para o mail da turma.

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