
Em
Weapons of the Weak - Everyday Forms of Peasant Resistance, James C. Scott (1985, New Haven and London, Yale University Press) parte do princípio de que falta ter em conta que a maior parte das classes subordinadas por grande parte da história raramente atingiram o luxo de uma aberta e organizada actividade política. Essa actividade política formal e organizada, mesmo se clandestina e revolucionária, é tipicamante das classes médias e da intelligentsia, e procurar a participação política camponesa aí é fazê-lo em vão. Vai ter em conta as armas de grupos sem poder, cujas acções não fazem cabeçalhos de jornais: o arrastar de pés, a dissimulação, a deserção, a falsa submissão, a gatunice, a alegada ignorância, a difamação, o fogo-posto, a sabotagem, etc., formas Schweikianas da luta de classes, que evitam a confrontação directa com as autoridades. O objectivo é demonstrar quão importantes, ricas e complexas são as relações de classe locais, e o que pode potencialmente aprender-se de uma análise não centrada no estado, nas organizações formais, no protesto declarado ou nos problemas nacionais.

A performance pública requer aos indivíduos formas elaboradas e sistemáticas de subordinação social, do trabalhador em relação ao patrão, do rendeiro em relação ao proprietário, do servo ao senhor, do escravo ao dono, do intocável ao brâmane, de um membro de uma raça submetida a outra dominante. Com raras mas significativas excepções, a performance pública dos subordinados – por prudência, medo e desejo de obter favores – tenta corresponder às expectativas dos poderosos. Em
Domination and the arts of Resistance- Hidden Transcripts ( New Haven and London, Yale University Press, 1990) James C. Scott interroga a relação entre o
registo publico , que serve para recobrir as interacções abertas entre os subordinados e os dominantes e o
registo escondido, que é o lugar privilegiado do discurso não hegemónio, contrapontual, dissidente, subversivo.Se os fracos têm óbvias e evidentes razões para buscarem refúgio atrás de uma máscara quando estão na presença do poder, os poderosos também têm as razões correspondentes para adoptar uma máscara, em presença dos subordinados. Fora de cena, também entre as elites o discurso tem uma modalidades camuflada, tal como entre os subordinados. Esse registo escondido consiste nos gestos e palavras que inflectem, contraditam ou confirmam o que surge no discurso público.
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