terça-feira, 3 de novembro de 2009

Movimentos Sociais e resistência


Os momentos de violenta passagem, que transportam historicamente a marca da fricção, da interferência ou da ruptura com o passado têm vindo, principalmente desde os anos 70, a tomar lugar de destaque nos estudos levados a cabo por sociólogos e antropólogos. Algumas das formas de resistência sem protagonistas, e plenas de actores secundários, foram ignoradas até recentemente pelas ciências sociais, tendo-lhes sido negado um lugar nomeadamente no universo da antropologia política. Todavia, um conjunto de manifestações, com o seu quê de brechtiano ou de picaresco, dissimulam acções que, ainda que tendo sido arredadas, esquecidas ou remetidas para o domínio do não-político, constituem formas veladas de realizações no domínio político levadas a cabo por indivíduos que integram as camadas subordinadas da sociedade. Disso falaremos ao longo de algumas aulas, questionando as modalidades de acção colectiva, que pode ir de formas menos organizadas - como as turbas, e os tumultos - a outras mais estruturadas, com líderes, programas de actuação e formas de organização mais ou menos burocratizadas.

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