Em Samil, freguesia praticamente colada a Bragança, o Pedro Osório e o Pedro Mogárrio estão desde o dia 18 numa curta estadia de terreno, que se prolongará até ao final do ano. Na aldeia há uma mesa de Santo Estêvão, com uma distribuição alimentar generalizada e uma elaborada passagem de mordomia. A RTP foi filmar e aqui está o encaminhamento para as imagens recolhidas, enquanto aguardo que os «Pedros»
enviem as suas.
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Almoco-comunitario-no-concelho-de-Braganca.rtp&headline=20&visual=9&article=306065&tm=8
domingo, 27 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Seguro escolar para os estudantes que partem para Trás-os-Montes
Caros alunos, para ficarem recobertos pelos seguro escolar, terão de preencher um formulário que se encontra em http://www.fcsh.unl.pt/servicos/nesp/formulario-protocolos
No vosso caso, devem indicar como instituição a FCSH/UNL.
No vosso caso, devem indicar como instituição a FCSH/UNL.
Amanhã não há aula
Caros alunos, por ter um familiar doente não me poderei deslocar à Faculdade amanhã. Como estavam previstas várias apresentações de textos, solicito a vossa compreensão, pedindo que, em uma ou duas páginas, passem a escrito o que se propunham apresentar oralmente. Se tiverem preparado um powerpoint, juntem-no e deixem no secretariado num envelope. Muito obrigada.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Reunião com os grupos que estão a trabalhar sobre a fronteira e os poderes de periferia
Usos da memória e processos de patrimonialização

Ao longo das três próximas sessões, o módulo sob o título Usos da memória e processos de patrimonialização é da responsabilidade de Luís Silva, que, segundo a informação constante no site do CRIA "é licenciado em Antropologia Social (1995), mestre em Antropologia – Patrimónios e Identidades (2000) e doutorado em Antropologia das Sociedades Complexas (2007) pelo ISCTE (Lisboa). É investigador em pós-doutoramento no Departamento de Antropologia da FCSH da UNL com bolsa da FCT e membro do CRIA. Estuda actualmente a patrimonialização das Aldeias Históricas de Portugal (AHP), estudou em doutoramento o Turismo em Espaço Rural em Portugal e em mestrado as modalidades de construção da identidade nacional num contexto de fronteira. Desenvolveu ainda trabalhos sobre patrimonialização e turistificação do contrabando em Portugal, moinhos hidráulicos, pesca, barcas de passagem e tráfego fluvial no Guadiana, bem como romarias, imigrantes açorianos e portugueses nos EUA e no Canadá e recriações históricas.". Publicou em 2009, Casas no Campo. Etnografia do Turismo de Habitação em Portugal (Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, Colecção Breve). É ele que escreve: "Durante três sessões irei apresentar três estudos de caso sobre processos de patriomonialização em Portugal e Cabo Verde implementados de cima para baixo. A primeira sessão aborda a patrimonialização do histórico e do arquitectónico no âmbito das Aldeias Históricas de Portugal, considerando dados etnográficos recolhidos em trabalho de
campo.
A segunda sessão ilustra o processo de patrimonializaçao do histórico, do cultural e do natural nos espaços museológicos de Belmonte, tendo em conta dados recolhidos no terreno.
A terceira sessão incide sobre o processo de patrimonialização da Cidade Velha, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, a partir do documentário de Catarina Alves Costa (2003), O Arquitecto e a Cidade Velha. Em todos os casos, falarei de processos sociais, práticas e agentes envolvidos em processos de construção de patrimónios." São também dele as duas fotos apresentadas neste post, uma do castelo de Sortelha, outra do Museu dos Descobrimentos ou Centro Interpretativo "À Descoberta do Novo Mundo" em Belmonte.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Lembrete
Embora estejam todos convidados a juntar-se aos estudantes de Antropologia Portuguesa Contemporânea no Anime amanhã, venho recordar-vos que não há sessão na faculdade, em virtude dessa deslocação. Por outro lado, na próxima 4ª Fª terão uma sessão dupla, já com o Prof. Doutor Luís Silva, enquadrada no módulo de três aulas que ficam a seu cargo. Assim, no dia 9 haverá uma primeira sessão das 8 às 9h45 e uma segunda das 12 às 13h45.
aquém e além da prisão

Na última sessão, várias apresentações de textos da obra coordenada por Manuela Ivone Cunha, Aquém e além da Prisão (Lisboa, 90º, 2008) encaminharam-nos na senda duma interessante discussão acerca das prisões e da sociedade. A obra "propõe um inventário crítico das ligações entre prisão e sociedade tal como foram pensadas por autores de referência de diferentes áreas do saber e especialistas dos estudos prisionais, procurando caracterizar de maneira precisa as modalidades de articulação entre o interior e o exterior".
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Visionamento de filmes no Anime, com a colaboração da Cinemateca - Museu do Cinema
A nossa sessão de dia 4 de Dezembro fica suspensa, sendo compensada por uma outra no dia 9 de Dezembro às 8 horas, na sala habitual. Tal deve-se a uma dupla duração da aula de Antropologia Portuguesa Contemporânea. As razões são boas e podem juntar-se a nós, se o desejarem. No dia 4 às 9h30 horas estaremos nas instalações do Anime, para visionar várias obras sobre máscaras transmontanas inseridas nas festas do ciclo de Inverno. Assim, veremos Festa, trabalho e pão em Grijó de Parada, de Manuel Costa e Silva, Máscaras, de Noémia Delgado e Imagens de Portugal 266 , um pequeno filme de 1963 sobre a festa de Torre D. Chama. 


Todas as imagens aqui utilizadas foram cedidas pela Cinemateca, Museu do Cinema, a quem agradeço.



Todas as imagens aqui utilizadas foram cedidas pela Cinemateca, Museu do Cinema, a quem agradeço.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Conferência de Sónia Ferreira

Na próxima quarta-feira teremos uma conferência de Sónia Ferreira,intitulada “Eu gostava porque aquilo dava para fazer e sonhar: memória, trabalho e género numa comunidade operária da Margem Sul”. A partir do estudo de caso de um grupo de operárias de Almada, a conferencista analisará o processo de construção e cruzamento de memórias individuais e a edificação de uma memória colectiva, a partir de um referente de género e de classe. Num contexto que apresenta uma forte endogamia socioprofissional, tempo privado e tempo público cruzam-se na percepção e descrição dos quotidianos, adquirindo o local de trabalho, a fábrica, porque ligada à família e ás redes sociais significativas, centralidade neste processo.
Doutora em Antropologia pela FCSH e investigadora de pós-doutoramento do CRIA, Sónia Ferreira vem desenvolvendo um muito inovador trabalho de investigação em temas diversos, como os Movimentos Sociais, o Género, a Resistência, a Antropologia Visual, a Antropologia dos Media ou a Comunicação Intercultural.
Conferência de Tiago de Matos Silva

«Contámos-lhes as coisas como elas eram» - hegemonia e contra-hegemonias sobre o 25 de Abril de 1974.
Sob este título, Tiago de Matos Silva fará uma conferência na próxima sexta-feira, dia 27. Com base numa etnografia realizada com pais que viveram o 25 de Abril e o PREC e filhos que relembram memórias alheias, procurará esta conferência abrir linhas de discussão, não apenas sobre os limites e características do discurso hegemónico que o novo regime negociou (continua a negociar) sobre a sua própria origem, como sobre a possibilidade e objectivos das contra- hegemonias, elaboradas pelos indivíduos em privado e em resposta a um discurso público que se pretende definitivo.
Tiago de Matos Silva é licenciado em Antropologia, tendo concluído o curso com a monografia que serviu de base ao livro Pais de Abril, Filhos de Novembro. Presentemente é doutorando em Antropologia na FCSH e investigador do CRIA.
Projecto de trabalho
Uma parte significativa dos alunos optou por ser avaliada através dum trabalho, o que requer, como sabem, um estudo de terreno. O princípio de tudo, a «declaração de intenções», o guia precioso a que sempre voltarão enquanto estiverem a realizar o vosso estudo, é o projecto. No dia 25 às 15 horas, na sala 303, haverá uma sessão sobre a feitura dum projecto, com as instruções necessárias para o levar a cabo. É importante que nela participe pelo menos uma pessoa por grupo.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Alojamento dos grupos em Trás-os-Montes
Acabei de fazer o último contacto e já todos têm alojamento garantido. Não será o Ritz, mas terão onde esticar o saco-cama, aquecer-se, cozinhar e tomar banho. Aqui vai a lista dos locais em que ficarão:
Grupo 1: Vítor Augusto e Francisco Ventura, em Parada de Infanções, Bragança, com Festa de Santo Estêvão, tendo o Sr.Norberto Costa e a esposa, como o restante colectivo da Junta de Freguesia, envidado todos os esforços para conseguir alojamento;
Grupo 2: João Sousa e Roman Beiu, em Duas Igrejas, Miranda do Douro, com Festa de Santo Estêvão. O Senhor Domingos Augusto Ruano, presidente há 20 anos da Junta de Freguesia e que há dois anos alojou um outro grupo, recebe-vos no mesmo local que serviu para os vossos colegas;
Grupo 3: Pedro Osório, João Miguel e Pedro Mogárrio: Samil, Bragança, com Mesa de Santo Estêvão. O Presidente Eduardo Joaquim Portela mostrou a melhor disposição para vos receber, decidindo de imediato, sem hesitações;
Grupo 4: Bruno + 1, Grijó de Parada, Bragança, com Festa de Santo Estêvão. Uma presidente de Junta com um notável dinamismo e simpatia, Maria Helena Santos, informou desde logo que ficam alojados na casa da sua sogra, que está vazia, depois de lhe serem feitas umas limpezas;
Grupo 5: Ana Candeias, Ana Dâmaso, Kinga Németh, Petisqueira, Bragança (para tratar a fronteira e as memórias da guerra civil de Espanha). O presidente da Junta de Deilão, a sede de freguesia, Sr. Manuel Inácio, que já acolheu estudantes noutros anos quer em Deilão, quer em Vila Meã, nem hesitou: que venham, serão bem recebidas na Petisqueira!
Forneço-vos pessoalmente os contactos dos presidentes de junta que tão simpaticamente acederam a acolher-vos.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Kuxa Kanema, de Margarida Cardoso

No próximo dia 24, às 15 horas, na sala 303, vamos projectar o filme de Margarida Cardoso Kuxa kanema. A informação que se segue foi retirada de http://www.medeiafilmes.pt/noticias/os%20dias%20doc%202%20.%20dossier%20imprensa.doc
A primeira acção cultural do governo Moçambicano logo após a independência, em 1975, foi a criação do Instituto Nacional de Cinema (INC). O novo presidente, Samora Machel, tinha especial consciência do poder da imagem e de como utilizá-la para construir uma nova nação socialista. As unidades de Cinema Móvel vão mostrar por todo o país a mais popular produção do INC, o jornal cinematográfico Kuxa Kanema.
Kuxa Kanema quer dizer o nascimento do cinema e o seu objectivo era: filmar a imagem do povo e devolvê-la ao povo.
MAS HOJE A REPÚBLICA POPULAR DE MOÇAMBIQUE passou a ser, simplesmente, a República de Moçambique. Da grande empresa que foi o INC não sobra quase nada. Destruído por um fogo em 1991, só restam do edifício salas e corredores abandonados onde alguns funcionários esperam pacientemente a reforma. Num anexo apodrecem, esquecidas, as imagens que são o único testemunho dos onze primeiros anos de independência, os anos da revolução socialista.
É ATRAVÉS DESTAS IMAGENS e das palavras das pessoas que as filmaram que seguimos o percurso de um ideal de país, que se desmorona, pouco a pouco, com o ideal de “um cinema para o povo” e com os sonhos das pessoas que um dia acreditaram que Moçambique seria um país diferente.
Festivais
DOCS LISBOA 2003
IT’S ALL TRUE | 2003 – O Estado das Coisas
FID MARSEILLE | 2003 – Competição Internacional
Festival Caminhos do Cinema Português Melhor Documentário de Televisão
Festival Internacional do Filme de Amiens
DOCS Barcelona Workshop
Rencontres Internationales du Documentaire de Montréal - official selection
Biografia
MARGARIDA CARDOSO nasce em 1963, em Portugal.
De 1978 a 81 frequenta o curso de Imagem e Comunicação Audiovisual da Escola António Arroio. Durante dois anos trabalha como assistente de fotografia publicitária e industrial e em 1983 começa a trabalhar como anotadora e assistente de realização.
Dessa experiência contam-se mais de 40 filmes, portugueses e estrangeiros.
Em 1996 realiza a sua primeira curta metragem.
Chile – memória oficial e memória clandestina
Na passada sexta-feira, Sónia Ferreira apresentou-nos uma conferência sob o t´titulo em epígrafe. Em 1973, após a queda do regime de Salvador Allende, gera-se na sociedade chilena uma cisão na realidade social. A repressão e a morte instalam-se como fenómenos permanentes, embora subterrâneos e clandestinos, e as contradições sociais extremam-se de tal modo que os significados e valores da vida quotidiana dos sujeitos se alteram de forma irredutível. Neste contexto, dão-se processos de construção da memória profundamente traumáticos em que a uma memória oficial e estatalmente reproduzida, se opõe uma memória clandestina e acossada que procura legitimar experiências sociais não reconhecidas e consequentemente excluídas da memória oficial da nação. A conferencista debateu estas questões a partir da análise das histórias de vida de um grupo de mulheres chilenas e do seu percurso enquanto militantes políticas e “viúvas” de detidos-desaparecidos.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Preparação para o trabalho de terreno: falemos de Trás-os-Montes
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Em Vinhais, no Natal frio de 2006
Em 2006 houve muitos grupos no terreno, mais que noutros anos. Grande parte dos alunos partiu comigo para Chaves, onde assistiu a um congresso sobre as memórias da raia acerca da guerra civil de Espanha, partindo depois para as aldeias. Se três grupos ficaram em aldeias do concelho de Chaves, vários outros partiram para o concelho de Vinhais, onde os presidentes de junta tudo fizeram para lhes conseguir alojamento adequado. Nem sempre foi possível, confortando-se os menos afortunados com as histórias que trouxeram para contar. Encontrei alguns na vila:

Bem instaladas, as aprendizes de antropólogas que ficaram na Mofreita iam percebendo que a antropologia sem a história perde profundidade, adquirindo o seu trabalho de terreno uma vertente processual inicialmente insuspeitada. Foram elas que acudiram aos colegas mais desvalidos, que dormiam num chão de pedra numa outra povoação, levando-lhes cobertores salvíficos...

Em Vilar Seco de Lomba os estudantes tiveram de reconverter o seu objecto: se se preparavam para trabalhar o contrabando e as relações de fronteira, perceberam que fenómenos de mudança e novos enquadramentos locais se tornavam prioritários. Um deles, o Francisco, haveria de fazer no ano seguinte um longo trabalho de terreno, de que resultaria um estudo que mereceu nota máxima na monografia final.

O Tiago e o Sadik, com grande empenhamento mas menos boas condições de logística, estavam entre os vizinhos da aldeia quando cheguei. Fariam um trabalho duma etnografia fina, entre dúvidas e problemas que discutiríamos longamente.
Em Montouto era um frio de rachar. Quando cheguei, os vizinhos contavam as proezas dos jovens antropólogos que haviam resolvido ir de Vinhais à aldeia de bicicleta, apesar do frio. A aldeia era, como grande parte nessa zona, um núcleo que perdera grande parte dos habitantes, desde os anos '60.




Já na vila, os jovens investigadores de vários dos grupos tinham combinado um encontro. Como tinham que consultar alguns arquivos na Câmara Municipal, ir à Biblioteca, procurar os padres para aceder aos registos paroquiais, aproveitaram para um café em grupo e para trocar informação: "Na nossa aldeia é assim...".

Bem instaladas, as aprendizes de antropólogas que ficaram na Mofreita iam percebendo que a antropologia sem a história perde profundidade, adquirindo o seu trabalho de terreno uma vertente processual inicialmente insuspeitada. Foram elas que acudiram aos colegas mais desvalidos, que dormiam num chão de pedra numa outra povoação, levando-lhes cobertores salvíficos...

Em Vilar Seco de Lomba os estudantes tiveram de reconverter o seu objecto: se se preparavam para trabalhar o contrabando e as relações de fronteira, perceberam que fenómenos de mudança e novos enquadramentos locais se tornavam prioritários. Um deles, o Francisco, haveria de fazer no ano seguinte um longo trabalho de terreno, de que resultaria um estudo que mereceu nota máxima na monografia final.

O Tiago e o Sadik, com grande empenhamento mas menos boas condições de logística, estavam entre os vizinhos da aldeia quando cheguei. Fariam um trabalho duma etnografia fina, entre dúvidas e problemas que discutiríamos longamente.

Em Montouto era um frio de rachar. Quando cheguei, os vizinhos contavam as proezas dos jovens antropólogos que haviam resolvido ir de Vinhais à aldeia de bicicleta, apesar do frio. A aldeia era, como grande parte nessa zona, um núcleo que perdera grande parte dos habitantes, desde os anos '60.




Já na vila, os jovens investigadores de vários dos grupos tinham combinado um encontro. Como tinham que consultar alguns arquivos na Câmara Municipal, ir à Biblioteca, procurar os padres para aceder aos registos paroquiais, aproveitaram para um café em grupo e para trocar informação: "Na nossa aldeia é assim...".
Armas dos fracos e resistência quotidiana
Em Weapons of the Weak - Everyday Forms of Peasant Resistance, James C. Scott (1985, New Haven and London, Yale University Press) parte do princípio de que falta ter em conta que a maior parte das classes subordinadas por grande parte da história raramente atingiram o luxo de uma aberta e organizada actividade política. Essa actividade política formal e organizada, mesmo se clandestina e revolucionária, é tipicamante das classes médias e da intelligentsia, e procurar a participação política camponesa aí é fazê-lo em vão. Vai ter em conta as armas de grupos sem poder, cujas acções não fazem cabeçalhos de jornais: o arrastar de pés, a dissimulação, a deserção, a falsa submissão, a gatunice, a alegada ignorância, a difamação, o fogo-posto, a sabotagem, etc., formas Schweikianas da luta de classes, que evitam a confrontação directa com as autoridades. O objectivo é demonstrar quão importantes, ricas e complexas são as relações de classe locais, e o que pode potencialmente aprender-se de uma análise não centrada no estado, nas organizações formais, no protesto declarado ou nos problemas nacionais.
A performance pública requer aos indivíduos formas elaboradas e sistemáticas de subordinação social, do trabalhador em relação ao patrão, do rendeiro em relação ao proprietário, do servo ao senhor, do escravo ao dono, do intocável ao brâmane, de um membro de uma raça submetida a outra dominante. Com raras mas significativas excepções, a performance pública dos subordinados – por prudência, medo e desejo de obter favores – tenta corresponder às expectativas dos poderosos. Em Domination and the arts of Resistance- Hidden Transcripts ( New Haven and London, Yale University Press, 1990) James C. Scott interroga a relação entre o registo publico , que serve para recobrir as interacções abertas entre os subordinados e os dominantes e o registo escondido, que é o lugar privilegiado do discurso não hegemónio, contrapontual, dissidente, subversivo.Se os fracos têm óbvias e evidentes razões para buscarem refúgio atrás de uma máscara quando estão na presença do poder, os poderosos também têm as razões correspondentes para adoptar uma máscara, em presença dos subordinados. Fora de cena, também entre as elites o discurso tem uma modalidades camuflada, tal como entre os subordinados. Esse registo escondido consiste nos gestos e palavras que inflectem, contraditam ou confirmam o que surge no discurso público.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Conferência de Sónia Almeida
Na próxima quarta-feira, dia 11, a Prof. Doutora Sónia Almeida orientará a nossa sessão, sob o tema "Ruralidade e Revolução: as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA (1974-1975)". Partindo de uma etnografia construída em torno das Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do Movimento das Forças Armadas (1974-1975), a conferência procura examinar a apropriação do mundo rural, em concreto das zonas de agricultura familiar do Norte e Centro do país, na legitimação da agenda política da revolução de 25 de Abril de 1974.Numa tentativa urgente para organizar e construir um ”outro país”, os agentes envolvidos foram intérpretes de um país a que se procurava dar visibilidade ocupando para tal um “território” privilegiado para formulação e transmissão de imagens sobre Portugal nas quais a nação enquanto sinónimo de ruralidade é convocada na consagração da mudança política. É uma oportunidade a não perder, que permitirá conhecer o trabalho de Sónia Almeida, que é professora do Departamento de Antropologia da FCSH e bolseira pós-doc da FCT, bem como investigadora e dirigente do CRIA. Ao lado, a obra da autora, lançada em Maio passado.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Movimentos Sociais e resistência

Os momentos de violenta passagem, que transportam historicamente a marca da fricção, da interferência ou da ruptura com o passado têm vindo, principalmente desde os anos 70, a tomar lugar de destaque nos estudos levados a cabo por sociólogos e antropólogos. Algumas das formas de resistência sem protagonistas, e plenas de actores secundários, foram ignoradas até recentemente pelas ciências sociais, tendo-lhes sido negado um lugar nomeadamente no universo da antropologia política. Todavia, um conjunto de manifestações, com o seu quê de brechtiano ou de picaresco, dissimulam acções que, ainda que tendo sido arredadas, esquecidas ou remetidas para o domínio do não-político, constituem formas veladas de realizações no domínio político levadas a cabo por indivíduos que integram as camadas subordinadas da sociedade. Disso falaremos ao longo de algumas aulas, questionando as modalidades de acção colectiva, que pode ir de formas menos organizadas - como as turbas, e os tumultos - a outras mais estruturadas, com líderes, programas de actuação e formas de organização mais ou menos burocratizadas.
Estudantes em trabalho de terreno na fronteira em 2008
No ano de 2008 a fronteira sul acolheu vários grupos de estudantes durante as férias do Natal, graças à generosidade, ao interesse e ao empenhamento de alguns presidentes de junta de freguesia.

Ao Roman e ao João surpreendi-os no café local, em plena entrevista, logo que cheguei. Estavam em Montes Juntos, no concelho do Alandroal, onde anos antes estivera o Luís Silva (que estudou as relações com Cheles, do outro lado do Guadiana). Se então o rio era atravessado a pé, agora a fronteira engrossou, com a barragem do Alqueva.

O Joaão o Nuno e a Vanessa estavam nas Minas do Bogalho, também no Alandroal. Ganharam localmente a reputação de se levantarem muito cedo - assim responderam à minha recomendação de se adequarem aos ritmos da vida local - coisa que muito impressionava o presidente da Junta, um homem muito gentil que reconhecia a enorme importância do trabalho que os três jovens antropólogos levavam a cabo.

À Mara, à Soraia e ao Paulo interessou, na belíssima Jurumenha, no concelho do Alandroal, a fronteira alimentar, com o peixe e o pão, o património gastronómico e os novos hábitos alimentares que cruzam esta raia de sabores. Uma etnografia muito rica, obtida numa aldeia em que as modificações na estrutura do emprego têm sido evidentes.

O Sérgio e as Anas estavam na fronteira mais a sul, em Alcoutim, que tem como povoação-espelho Sanlúcar. Mais próximos da fronteira-muro do sul de Espanha, que separa a rica Europa do sul pobre, confrontaram-se com as ambiguidades em torno da utilidade da construção duma ponte, que viria a ter centralidade no trabalho que desenvolveram.
Ao Roman e ao João surpreendi-os no café local, em plena entrevista, logo que cheguei. Estavam em Montes Juntos, no concelho do Alandroal, onde anos antes estivera o Luís Silva (que estudou as relações com Cheles, do outro lado do Guadiana). Se então o rio era atravessado a pé, agora a fronteira engrossou, com a barragem do Alqueva.
O Joaão o Nuno e a Vanessa estavam nas Minas do Bogalho, também no Alandroal. Ganharam localmente a reputação de se levantarem muito cedo - assim responderam à minha recomendação de se adequarem aos ritmos da vida local - coisa que muito impressionava o presidente da Junta, um homem muito gentil que reconhecia a enorme importância do trabalho que os três jovens antropólogos levavam a cabo.
À Mara, à Soraia e ao Paulo interessou, na belíssima Jurumenha, no concelho do Alandroal, a fronteira alimentar, com o peixe e o pão, o património gastronómico e os novos hábitos alimentares que cruzam esta raia de sabores. Uma etnografia muito rica, obtida numa aldeia em que as modificações na estrutura do emprego têm sido evidentes.
O Sérgio e as Anas estavam na fronteira mais a sul, em Alcoutim, que tem como povoação-espelho Sanlúcar. Mais próximos da fronteira-muro do sul de Espanha, que separa a rica Europa do sul pobre, confrontaram-se com as ambiguidades em torno da utilidade da construção duma ponte, que viria a ter centralidade no trabalho que desenvolveram.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Terrenos de fronteira
Uma das propostas de trabalho de terreno da cadeira, neste caso fora de Lisboa, remete para a fronteira norte de Portugal. Tem diferenças assinaláveis relativamente à fronteira da foto acima, em Jurumenha, no concelho de Alandroal, com o seu castelo em ruínas (futuro empreendimento turístico, dizia-se em Dezembro passado) e o Guadiana, onde estiveram alguns dos colegas que, no ano anterior, se deslocaram para uma estadia de campo. Como as férias do Natal não tardam e há que assegurar a logística dos estudantes que queiram partir, na próxima aula recolherei a lista dos grupos interessados. Organizem-se!
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Vidas na raia

Centrámo-nos hoje na obra de Manuela Ribeiro, Manuela Carlos Silva, Johanna Schouten, Fernando Bessa Ribeiro, Octávio Sacramento (2008) Vidas na Raia – Prostituição feminina em regiões de fronteira, Porto, Afrontamento, 433 pp.
Uma equipa dirigida por Manuela Ribeiro, da UTAD, com cientistas sociais de três universidades fronteiriças portuguesas (Minho, Beira Interior e Trás-os-Montes e Alto Douro) dedicou-se ao estudo desse «campo social complexo» da prostituição raiana, com a finalidade de «compreender e explicar os mecanismos e factores subjacentes a este fenómeno, recorrente e metamórfico» (p.30) em termos locais, regionais, nacionais e transnacionais.
“Como compreender e explicar o recorrente fenómeno histórico da prostituição? Quais as causas ou factores estruturantes da sua (re)emergência designadamente nas sociedades modernas e, em particular, na região transfronteiriça entre Norte de Portugal e Galiza-Castela-Leão? Como se organizam os promotores, que mudanças, que traços comuns e/ou específicos apresenta a actual configuração da prostituição face às formas tradicionais designadamente em meio urbano, semiurbano rural do norte, nomeadamente nas regiões transfronteiriças? Até que ponto é possível, desejável e exequível a abolição desta prática social? E, em caso negativo, até que ponto é possível minorar os seus efeitos negativos ou perversos para as próprias protagonistas, para os clientes e para a sociedade em geral?”(p. 31)Esta investigação pormenorizada, de grande importância pela quantidade e qualidade dos materiais que traz à colação, é de leitura imprescindível para quantos trabalham quer sobre o fenómeno da prostituição, quer sobre o carácter actual das fronteiras. Visou conhecer as mulheres que a exercem, sobretudo no norte; compreender interesses e motivações dos clientes; perceber os tipos principais de prostituição na raia norte; examinar os quadros institucionais e legais de enquadramento da prostituição; conhecer normas e práticas de diversas entidades; analisar a prostituição como condição prévia para uma política sexual; promover a saúde pública e combater a criminalidade organizada. O perfil implicado da equipa ajuda-nos a entender a afirmação duma mulher, depois duma entrevista, referindo que pela primeira vez desde que chegou [a Portugal?] se sentiu tratada como gente (p. 89).
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Fronteiras, limites, confins
Nas últimas aulas fizémos um balanço dos estudos sobre a fronteira, um dos temas a que conferimos centralidade no programa da cadeira. Olhámos para as periferias vendo-as como centros - não há periferia na periferia - em que os arranjos entre pessoas e grupos são decisivos, com uma difícil implantação das lealdades aos Estados centrais. Para a próxima sessão de seminário pedia-vos que pensassem nas duas citações que se seguem e que intervenham tendo em conta os conteúdos apreendidos.
“We live in a world of lines and compartments. We may not necessarily see the lines, but they order our daily life practices, strengthening our belongings to, and identity with, places and groups, while – at one and the same time – perpetuating and reperpetuating notions of difference and othering.”
NEWMAN, David (2006) “The lines that continue to separate us: borders in our ‘borderless world”, Progress in Human Geography, 30 (2):143
“In the age of flexible production, we all live in the borderlands. Capital, deterritorialized and decentred, establishes borderlands where it can move freely, away of the control of states and societies but in collusion with states against societies.”
Dirlik, in BANDY, Joe (2000) “Bordering the Future: Resisting Neoliberalism in the Borderlands”, Critical Sociology, 26, 3:261
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Visita de estudo ao Museu do Fado
Na sexta-feira, encontrámo-nos no Largo do Chafariz de Centro, em Alfama, para uma visita guiada ao Museu do Fado. O João Dias fez as fotos que se seguem, sobretudo da visita pelo bairro.

O beco do Carneiro - ou como as sociabilidades podem ser «estreitadas» pela arquitectura.

Um dos vários lavadouros públicos do bairro, que hoje só abre a pedido.

A partir do adro da igreja de Santo Estêvão, todo o casario do bairro e o rio, cujas actividades são centrais na vida do bairro.

Um grupo bem disposto, já mais curto do que os 35 que visitaram o Museu.
O beco do Carneiro - ou como as sociabilidades podem ser «estreitadas» pela arquitectura.
Um dos vários lavadouros públicos do bairro, que hoje só abre a pedido.
A partir do adro da igreja de Santo Estêvão, todo o casario do bairro e o rio, cujas actividades são centrais na vida do bairro.
Um grupo bem disposto, já mais curto do que os 35 que visitaram o Museu.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Convite para uma visita de estudo ao Museu do Fado

Convido-vos a juntarem-se à visita de estudo ao Museu do Fado, que será realizada no âmbito da cadeira de Antropologia Portuguesa Contemporânea, na próxima sexta-feira, 16 de Outubro, às 10h30. Pela duração da visita, entrará pela nossa hora de aula, que terá de ser suspensa. Se puderem ir, não darão o vosso tempo por perdido, já que o fado pode ser o tal «grão de areia» de que falava Clifford Geertz, a partir do qual se pode ler a sociedade portuguesa e o poder, com conjunturas históricas variadas a imprimirem marcas diversificadas nesta expressão de cultura popular urbana. Lá vos espero.

Entre os fenómenos globais, as crises recentes do capitalismo e os seus reflexos na vida dos indivíduos, outras são as escalas possíveis. Susana Narotzky e Gavin Smith (Susana Narotzky e Gavin Smith, Immediate struggles – People, Power and Place in Rural Spain, University of California Press, Berkeley/Los Angeles, 2006, 250 pp)interrogaram o discurso hegemónico das economias regionais, que emerge na «Europa das regiões», com uma produção «flexível», empresas dispersas e uma noção de «capital social» alheia à de Pierre Bourdieu. Centrados em Catral, na vega Baja do Segura, Alicante, numa abordagem entre a antropologia e a história,os autores questionam a ideia duma cultura empresarial regional, considerando que obnubila as tensões do poder, interrogando as práticas instituídas de regulação social num dado momento e que, tomadas em conjunto, dão forma ao Estado. Considerar que as pessoas do local X têm propensão para trabalhar muito e com horário flexível, retirando daí conclusões, só pode servir propósitos ideológicos, furtando-se a uma sagaz análise crítica. Nesta obra imprescindível, os autores recordam-nos que, como cientistas sociais, devemos estar preparados para a complexidade da realidade, seja através das forças hegemónicas, seja das respostas dos subalternos, parecendo-lhes crucial a necessidade de reinventar a importância do conceito de classe, com o conflito e a luta como constitutivos das relações sociais.
Espero que a recensão do livro (que publiquei em Historia Agraria, revista da Sociedad Española de Historia Agraria, nº 45, Agosto, pp. 207-211) seja estimulante para a leitura. Foi enviada para o mail da turma.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Textos a recensear
Acabou de ser enviada para antropos2007@gmail.com a lista dos textos a recensear com a respectiva calendarização. Vejam quais os que mais vos interessem e na próxima sessão, na sexta-feira, circulará a lista para poderem fazer a vossa escolha. a mior parte dos que não têm link ficará na casa das folhas a partir de amanhã. Bom trabalho!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Ciclo da UNIPOP
A POLÍTICA PARA ALÉM DA POLÍTICA
ciclo de sete debates da Unipop e do Maria Matos
DE 10 DE OUTUBRO A 24 DE NOVEMBRO. SEMPRE ÀS 18H30 DE TERÇA-FEIRA, NO BAR DO TEATRO MARIA MATOS.
Entrada livre
Política. Provavelmente, nas duas últimas décadas, não haverá palavra cuja crise tenha sido mais vezes anunciada. A simples enunciação do termo parece suscitar cansaço, fastio, ou na melhor das hipóteses um comentário irónico, céptico, cínico. E contudo não existe outro caminho que não o de voltar uma e outra vez a discutir política, a questão estando no que se entende por política.
Por isso dizemos que este ciclo de sete debates propõe levar a política para além da política e a fórmula sinaliza a vontade de extravasar os debates que predominam na agenda da política institucional, reunindo preferencialmente analistas políticos, ministros, jornalistas, deputados, técnicos de sondagens ou cientistas políticos.
Decorrendo ao fim das tardes de terça-feira, no bar do teatro maria matos, este ciclo trata então de construir um mapa de problemas, da ideia de representação à questão do populismo, passando pela política da plebe ou da multidão, do conceito de biopolítica às políticas de identidade e abordando a relação entre política e polícia.
ORGANIZAÇÃO
Teatro Maria Matos
UNIPOP
debate n.º 1
13 de Outubro
POLÍTICA, RAZÃO E EMOÇÃO
Com Manuel Villaverde Cabral e Manuel Loff
A frequente utilização da ideia de populismo tem levado à sua banalização, a ponto de ser legítimo perguntar se nos tempos que correm populismo não é apenas a forma mais rápida de desautorizar projectos políticos de que se discorda [veja-se Laclau na p.?]. Simultaneamente assistimos a uma crescente tecnicização do debate político, definindo-se a política enquanto assunto de especialistas que deverá privilegiar um tratamento preferencialmente racional, de acordo com o qual uma qualquer relação entre política e emoção reveste um sentido patológico.
Autor de várias obras, de O Operariado nas Vésperas da República a Cidadania e Equidade Política em Portugal, Manuel Villaverde Cabral é investigador coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Lisboa, sendo actualmente Vice-Reitor da Universidade de Lisboa. Manuel Loff é historiador, professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e tem vários trabalhos na área da História. Publicou recentemente O Nosso Século é Fascista! - O mundo visto por Salazar e Franco (1936-1945).
debate n.º 2
20 de Outubro
POLÍTICAS DE IDENTIDADE
Com Miguel Vale de Almeida e Marcos Cardão
Nas últimas décadas, a palavra identidade tornou-se um conceito recorrente no debate político [veja-se texto de Hobsbawm, p.?]. A nível dos movimentos sociais tem sido frequentemente defendida a necessidade de construir identidades que, fundindo dimensões políticas e culturais, permitam a várias figuras subalternas – colonizados, camponeses, indígenas, negros, mulheres, gays – forjar um poder de resistência e transformação que reaja às políticas de identidade dominantes, baseadas no colonialismo, no racismo, no machismo ou na homofobia. Entretanto, este identitarismo estratégico tem sido igualmente criticado pelo facto de ser incapaz de trabalhar uma alternativa que coloque em causa a própria ideia de uma política baseada na noção de identidade, deixando assim por problematizar categorias como nação, género ou família.
Miguel Vale de Almeida é antropólogo e professor no ISCTE. É também activista em movimentos lgbt. Tem várias obras publicadas sobre corpo, “raça” e género. Publicou recentemente A Chave do Armário – Homossexualidade, Casamento e Família. Marcos Cardão é historiador e bolseiro da FCT. Realiza presentemente o seu doutoramento em História, no ISCTE, com uma tese intitulada “Fado Tropical: o Luso-Tropicalismo na Segunda Metade do Século XX".
debate n.º 3
27 de Outubro
A POLÍTICA ‘A PARTIR DE BAIXO’
Com Fátima Sá e Paula Godinho
Quando falamos de política tendemos a conceber uma actividade profissional que ocupa o quotidiano de executivos governamentais e representantes parlamentares. Entretanto sabemos que esta limitação destitui de politicidade a actividade dos que estão à margem daqueles círculos institucionais. Importa por isso recolocar a relação entre política e grupos menos privilegiados num plano de debate que não esteja subordinado aos critérios definidos no quadro daqueles círculos institucionais, critérios estes que tendem a ignorar o que se poderia entender como experiências plebeias da política, experiências que remetem para conceitos como "economia moral da multidão" ou "armas dos fracos" e ecoam a história de inúmeros casos de resistência quotidiana e rebeldia popular [ver texto de Thompson, na p.?].
Fátima Sá é historiadora, professora no ISCTE. Tem trabalhado sobre história dos movimentos sociais, história da cultura popular e história conceptual. Entre outros, publicou Rebeldes e Insubmissos – Resistências Populares ao Liberalismo (1834-1844). Paula Godinho é antropóloga, leccionando na FCSH-UNL. Tem desenvolvido pesquisa, entre outros temas, em torno de movimentos sociais e contextos de fronteira. Publicou, entre outras obras, Memórias da Resistência Rural no Sul – Couço (1958-1962).
debate n.º 4
3 de Novembro
A CRISE DA REPRESENTAÇÃO
Com José Bragança de Miranda e Ricardo Noronha
De forma a dar conta da distância entre uma elite de representantes e o conjunto dos representados, é amiúde referido que vivemos em plena crise da representação. Assim, os debates em torno da abstenção ou dos votos em branco, ou a referência ao enfraquecimento dos poderes dos Estados nacionais no quadro da globalização, alimentam a ideia de uma crescente crise da representação. Paralelamente, a problemática da representação convoca um debate cujo alcance supera a actualidade político-institucional. No quadro da política, mas não só aqui, o ideal de representação parece pressupor a possibilidade de uma relação incorruptível entre quem representa e aquilo que é representado. De tal modo assim seria que, na relação estabelecida entre governante e governado, o sujeito primeiro reflectiria transparentemente o objecto representado [ver texto de Bourdieu, p.?]. Contudo, se não estivermos seguros desta transparência, o debate da representação deverá começar por perguntar se a representação é sempre um lugar de crise e, por outro lado, questionar se é possível pensar em política e em democracia além da representação.
José Bragança de Miranda é professor de Ciências da Comunicação na FCSH-UNL e professor convidado na Universidade Lusófona. Entre outros, publicou Queda sem fim, Teoria da Cultura e mais recentemente Corpo e Imagem. Ricardo Noronha é historiador, investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde realiza o seu doutoramento acerca da nacionalização da banca no pós-25 de Abril.
debate n.º 5
10 de Novembro
POLÍCIA E POLÍTICA
Com Manuel Deniz Silva e Tiago Pires Marques
Em vários países do século XX, a memória da polícia política remete necessariamente para os tempos da ditadura e sabemos que a crítica desses tempos cria uma oposição radical entre a ideia de polícia e a ideia de política. E hoje ainda, quando se trata de debater a relação entre política e polícia, é de um exercício físico e violento do poder de Estado que estamos muitas vezes a falar. Entretanto, polizei, policy, política, polícia, são palavras que percorrem um mesmo universo histórico, num quadro de continuidade e de ruptura que envolve a administração interna, a ordem pública, o direito, a estatística. Neste contexto, e partindo das aproximações de Michel Foucault e Jacques Rancière [ver textos de ambos na p.?], esta sessão procura situar o debate político à luz de um mais amplo entendimento da relação entre polícia e política.
Manuel Deniz Silva é investigador do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança, da FCSH-UNL. Realizou doutoramento em Paris sobre a História da Música em Portugal e trabalha actualmente sobre música e cinema. Tiago Pires Marques é historiador, investigador na Universidade de Paris I. A sua investigação tem incidido sobre a história do direito penal, do sistema prisional e da criminologia. Publicou, entre outros, Crime e Castigo no Liberalismo em Portugal.
debate n.º 6
17 de Novembro
A BIOPOLÍTICA
Com António Guerreiro e Nuno Nabais
Nos últimos anos, a biopolítica de Michel Foucault tornou-se um sugestivo lugar de debate. O recurso ao conceito parece anunciar que a discussão da política terá que decorrer num plano que extravasa largamente o domínio do institucional, alastrando-se a todas as esferas da vida, no momento em que emergem novas técnicas de governo da população. Entretanto, e a partir da obra de autores como Giorgio Agamben, Roberto Esposito ou Antonio Negri, a noção de biopolítica tem sido objecto de interpretações diversas, por vezes até contraditórias, nuns casos apresentando o conceito como "grito de alerta" contra o actual estado das coisas, noutros interpretando-o como gesto de abertura de novos campos de poder político [ver o texto de Peter Pàl Pelbart, na p.?].
António Guerreiro é crítico no jornal Expresso, tradutor e ensaísta. Tem trabalhado particularmente autores como Walter Benjamin e Giorgio Agamben. Nuno Nabais é professor de filosofia na Universidade de Lisboa e autor, entre outros, de A Metafísica do Trágico. Estudos sobre Nietzsche. É ainda coordenador da Fábrica de Braço de Prata.
debate n.º 7
24 de Novembro
DA CIÊNCIA POLÍTICA À FILOSOFIA
Com Bruno Peixe e Eduardo Pellejero
Ao longo dos últimos anos, os cientistas políticos assumiram um lugar proeminente no comentário e na análise política. Assumindo frequentemente a figura do especialista e do perito, os seus comentários tendem a focar preferencialmente dinâmicas eleitorais e institucionais e, de forma visível em Portugal, a ciência política tem conhecido assinalável desenvolvimento académico, demarcando-se da História, da Antropologia ou da Economia Política. Entretanto, nos últimos anos também assistimos a uma recuperação da filosofia enquanto discurso que é condição da política – e vice-versa [veja-se texto de Badiou, na p.?] – e que em certos casos vem mesmo rejeitar a própria ideia de uma articulação entre ciência e política. Esta sessão procura debater o lugar do conhecimento e das ideias na vida política.
Bruno Peixe é investigador da NUMENA. Economista de formação, realiza mestrado em filosofia e tem-se interessado particularmente pela obra de Alain Badiou. Eduardo Pellejero realiza actualmente pós-doutoramento em Filosofia, na FCT-UTL. Tem vários trabalhos publicados, nomeadamente acerca de Gilles Deleuze.
ciclo de sete debates da Unipop e do Maria Matos
DE 10 DE OUTUBRO A 24 DE NOVEMBRO. SEMPRE ÀS 18H30 DE TERÇA-FEIRA, NO BAR DO TEATRO MARIA MATOS.
Entrada livre
Política. Provavelmente, nas duas últimas décadas, não haverá palavra cuja crise tenha sido mais vezes anunciada. A simples enunciação do termo parece suscitar cansaço, fastio, ou na melhor das hipóteses um comentário irónico, céptico, cínico. E contudo não existe outro caminho que não o de voltar uma e outra vez a discutir política, a questão estando no que se entende por política.
Por isso dizemos que este ciclo de sete debates propõe levar a política para além da política e a fórmula sinaliza a vontade de extravasar os debates que predominam na agenda da política institucional, reunindo preferencialmente analistas políticos, ministros, jornalistas, deputados, técnicos de sondagens ou cientistas políticos.
Decorrendo ao fim das tardes de terça-feira, no bar do teatro maria matos, este ciclo trata então de construir um mapa de problemas, da ideia de representação à questão do populismo, passando pela política da plebe ou da multidão, do conceito de biopolítica às políticas de identidade e abordando a relação entre política e polícia.
ORGANIZAÇÃO
Teatro Maria Matos
UNIPOP
debate n.º 1
13 de Outubro
POLÍTICA, RAZÃO E EMOÇÃO
Com Manuel Villaverde Cabral e Manuel Loff
A frequente utilização da ideia de populismo tem levado à sua banalização, a ponto de ser legítimo perguntar se nos tempos que correm populismo não é apenas a forma mais rápida de desautorizar projectos políticos de que se discorda [veja-se Laclau na p.?]. Simultaneamente assistimos a uma crescente tecnicização do debate político, definindo-se a política enquanto assunto de especialistas que deverá privilegiar um tratamento preferencialmente racional, de acordo com o qual uma qualquer relação entre política e emoção reveste um sentido patológico.
Autor de várias obras, de O Operariado nas Vésperas da República a Cidadania e Equidade Política em Portugal, Manuel Villaverde Cabral é investigador coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Lisboa, sendo actualmente Vice-Reitor da Universidade de Lisboa. Manuel Loff é historiador, professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e tem vários trabalhos na área da História. Publicou recentemente O Nosso Século é Fascista! - O mundo visto por Salazar e Franco (1936-1945).
debate n.º 2
20 de Outubro
POLÍTICAS DE IDENTIDADE
Com Miguel Vale de Almeida e Marcos Cardão
Nas últimas décadas, a palavra identidade tornou-se um conceito recorrente no debate político [veja-se texto de Hobsbawm, p.?]. A nível dos movimentos sociais tem sido frequentemente defendida a necessidade de construir identidades que, fundindo dimensões políticas e culturais, permitam a várias figuras subalternas – colonizados, camponeses, indígenas, negros, mulheres, gays – forjar um poder de resistência e transformação que reaja às políticas de identidade dominantes, baseadas no colonialismo, no racismo, no machismo ou na homofobia. Entretanto, este identitarismo estratégico tem sido igualmente criticado pelo facto de ser incapaz de trabalhar uma alternativa que coloque em causa a própria ideia de uma política baseada na noção de identidade, deixando assim por problematizar categorias como nação, género ou família.
Miguel Vale de Almeida é antropólogo e professor no ISCTE. É também activista em movimentos lgbt. Tem várias obras publicadas sobre corpo, “raça” e género. Publicou recentemente A Chave do Armário – Homossexualidade, Casamento e Família. Marcos Cardão é historiador e bolseiro da FCT. Realiza presentemente o seu doutoramento em História, no ISCTE, com uma tese intitulada “Fado Tropical: o Luso-Tropicalismo na Segunda Metade do Século XX".
debate n.º 3
27 de Outubro
A POLÍTICA ‘A PARTIR DE BAIXO’
Com Fátima Sá e Paula Godinho
Quando falamos de política tendemos a conceber uma actividade profissional que ocupa o quotidiano de executivos governamentais e representantes parlamentares. Entretanto sabemos que esta limitação destitui de politicidade a actividade dos que estão à margem daqueles círculos institucionais. Importa por isso recolocar a relação entre política e grupos menos privilegiados num plano de debate que não esteja subordinado aos critérios definidos no quadro daqueles círculos institucionais, critérios estes que tendem a ignorar o que se poderia entender como experiências plebeias da política, experiências que remetem para conceitos como "economia moral da multidão" ou "armas dos fracos" e ecoam a história de inúmeros casos de resistência quotidiana e rebeldia popular [ver texto de Thompson, na p.?].
Fátima Sá é historiadora, professora no ISCTE. Tem trabalhado sobre história dos movimentos sociais, história da cultura popular e história conceptual. Entre outros, publicou Rebeldes e Insubmissos – Resistências Populares ao Liberalismo (1834-1844). Paula Godinho é antropóloga, leccionando na FCSH-UNL. Tem desenvolvido pesquisa, entre outros temas, em torno de movimentos sociais e contextos de fronteira. Publicou, entre outras obras, Memórias da Resistência Rural no Sul – Couço (1958-1962).
debate n.º 4
3 de Novembro
A CRISE DA REPRESENTAÇÃO
Com José Bragança de Miranda e Ricardo Noronha
De forma a dar conta da distância entre uma elite de representantes e o conjunto dos representados, é amiúde referido que vivemos em plena crise da representação. Assim, os debates em torno da abstenção ou dos votos em branco, ou a referência ao enfraquecimento dos poderes dos Estados nacionais no quadro da globalização, alimentam a ideia de uma crescente crise da representação. Paralelamente, a problemática da representação convoca um debate cujo alcance supera a actualidade político-institucional. No quadro da política, mas não só aqui, o ideal de representação parece pressupor a possibilidade de uma relação incorruptível entre quem representa e aquilo que é representado. De tal modo assim seria que, na relação estabelecida entre governante e governado, o sujeito primeiro reflectiria transparentemente o objecto representado [ver texto de Bourdieu, p.?]. Contudo, se não estivermos seguros desta transparência, o debate da representação deverá começar por perguntar se a representação é sempre um lugar de crise e, por outro lado, questionar se é possível pensar em política e em democracia além da representação.
José Bragança de Miranda é professor de Ciências da Comunicação na FCSH-UNL e professor convidado na Universidade Lusófona. Entre outros, publicou Queda sem fim, Teoria da Cultura e mais recentemente Corpo e Imagem. Ricardo Noronha é historiador, investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde realiza o seu doutoramento acerca da nacionalização da banca no pós-25 de Abril.
debate n.º 5
10 de Novembro
POLÍCIA E POLÍTICA
Com Manuel Deniz Silva e Tiago Pires Marques
Em vários países do século XX, a memória da polícia política remete necessariamente para os tempos da ditadura e sabemos que a crítica desses tempos cria uma oposição radical entre a ideia de polícia e a ideia de política. E hoje ainda, quando se trata de debater a relação entre política e polícia, é de um exercício físico e violento do poder de Estado que estamos muitas vezes a falar. Entretanto, polizei, policy, política, polícia, são palavras que percorrem um mesmo universo histórico, num quadro de continuidade e de ruptura que envolve a administração interna, a ordem pública, o direito, a estatística. Neste contexto, e partindo das aproximações de Michel Foucault e Jacques Rancière [ver textos de ambos na p.?], esta sessão procura situar o debate político à luz de um mais amplo entendimento da relação entre polícia e política.
Manuel Deniz Silva é investigador do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança, da FCSH-UNL. Realizou doutoramento em Paris sobre a História da Música em Portugal e trabalha actualmente sobre música e cinema. Tiago Pires Marques é historiador, investigador na Universidade de Paris I. A sua investigação tem incidido sobre a história do direito penal, do sistema prisional e da criminologia. Publicou, entre outros, Crime e Castigo no Liberalismo em Portugal.
debate n.º 6
17 de Novembro
A BIOPOLÍTICA
Com António Guerreiro e Nuno Nabais
Nos últimos anos, a biopolítica de Michel Foucault tornou-se um sugestivo lugar de debate. O recurso ao conceito parece anunciar que a discussão da política terá que decorrer num plano que extravasa largamente o domínio do institucional, alastrando-se a todas as esferas da vida, no momento em que emergem novas técnicas de governo da população. Entretanto, e a partir da obra de autores como Giorgio Agamben, Roberto Esposito ou Antonio Negri, a noção de biopolítica tem sido objecto de interpretações diversas, por vezes até contraditórias, nuns casos apresentando o conceito como "grito de alerta" contra o actual estado das coisas, noutros interpretando-o como gesto de abertura de novos campos de poder político [ver o texto de Peter Pàl Pelbart, na p.?].
António Guerreiro é crítico no jornal Expresso, tradutor e ensaísta. Tem trabalhado particularmente autores como Walter Benjamin e Giorgio Agamben. Nuno Nabais é professor de filosofia na Universidade de Lisboa e autor, entre outros, de A Metafísica do Trágico. Estudos sobre Nietzsche. É ainda coordenador da Fábrica de Braço de Prata.
debate n.º 7
24 de Novembro
DA CIÊNCIA POLÍTICA À FILOSOFIA
Com Bruno Peixe e Eduardo Pellejero
Ao longo dos últimos anos, os cientistas políticos assumiram um lugar proeminente no comentário e na análise política. Assumindo frequentemente a figura do especialista e do perito, os seus comentários tendem a focar preferencialmente dinâmicas eleitorais e institucionais e, de forma visível em Portugal, a ciência política tem conhecido assinalável desenvolvimento académico, demarcando-se da História, da Antropologia ou da Economia Política. Entretanto, nos últimos anos também assistimos a uma recuperação da filosofia enquanto discurso que é condição da política – e vice-versa [veja-se texto de Badiou, na p.?] – e que em certos casos vem mesmo rejeitar a própria ideia de uma articulação entre ciência e política. Esta sessão procura debater o lugar do conhecimento e das ideias na vida política.
Bruno Peixe é investigador da NUMENA. Economista de formação, realiza mestrado em filosofia e tem-se interessado particularmente pela obra de Alain Badiou. Eduardo Pellejero realiza actualmente pós-doutoramento em Filosofia, na FCT-UTL. Tem vários trabalhos publicados, nomeadamente acerca de Gilles Deleuze.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Modos de produção da globalização, hegemonias e contra-hegemonias
Na sessão anterior, a partir do texto de Boaventura de Sousa Santos que se encontra no programa detalhado da cadeira, falou-se de modos de produção da globalização, de localismos globalizados e globalismos localizados - como modos de produção da globalização que actuam em conjunto. Por outro lado, utilizando o mesmo autor, referiu-se o cosmopolitismo e o património comum da humanindade como modalidades de globalização da resistência. Conviria relacionar estes novos conceitos com outros dois que terão sido desenvolvidos na cadeira de Antropologia Política: hegemonia e contra-hegemonia, com remissão para Antonio Gramsci.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Para começar

«Precários nos querem, rebeldes nos terão», gritavam os jovens do Mayday pelas ruas de Lisboa, enquadrados numa manifestação do 1º de Maio. Assim os fotografei, com o vento a engordar a faixa. Escolhi esta foto para iniciar este blog porque vos proponho que usemos a dimensão do político para abordar as sociedades contemporâneas, através da antropologia e da história. Na manifestação desfilavam jovens que enfatizavam a sua situação de precariedade. Não é nada de novo no mundo do trabalho, já que a precariedade sempre foi uma constante entre os grupos subalternos, os assalariados rurais ou os operários. Essa situação passou, nos últimos anos, a atingir camadas sociais que antes estavam a bom recato, por integrarem grupos sociais intermédios e porque desenvolviam os seus estudos ao longo de mais anos. Sugiro que olhemos para estas mudanças em escalas diversificadas, fazendo uso da etnografia para analisar os exercícios do poder no centro e nas periferias, na interface entre as experiências das pessoas e as conexões e modalidades de reprodução e de transformação social. Com as ferramentas de que a antropologia nos dota, proponho que detectemos as práticas políticas nas sociedades contemporâneas através da abordagem dos quotidianos e dos momentos de aceleração da História, com uma reflexão sobre a relação entre a memória e o poder em diferentes níveis. Finalmente, num tempo em que muito nos falam da desvalorização do «lugar» na sociedade actual, sugiro uma abordagem das expressões da localidade num mundo globalizado, entre fluxos e redes sociais, que tenha em conta as questões de escala. Para este exercício vos convido, em sessões em que conto com a vossa presença, servindo este blog como elemento de ligação fora delas.
Devo a Guiseppe Pelizza da Volpedo Il Quarto Stato (1901), a tela que encabeça o blog, de que se lembrarão os que viram 1900 de Bernardo Bertolucci.
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